Sozinha, repleto de zumbis ao redor, o que fazer?
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Guerra Mundial Z (World War Z)
e você está procurando um filme para se divertir,
sem a menor pretensão de mudar sua vida, é o que você encontrará com Guerra Mundial Z (World War Z), que apresenta
quase duas horas de ação e suspense, protagonizadas pelo astro Brad Pitt.
Inspirado no livro homônimo de Max Brooks, o filme
de Marc Forster não perde tempo tentando explicar muita coisa. O roteiro sai
jogando informações das mais variadas vertentes, como questões ambientais,
passando por teorias conspiratórias, até a culpabilidade das companhias aéreas
pelo contágio em massa. E para deixar ainda mais redondo do ponto de vista
comercial, carrega bastante no amor familiar e dá uma flertada com o mundo dos
jogos eletrônicos.
É um filme que não tem uma fiel adaptação da obra
que o originou e os que esperavam ver sangue jorrando no melhor estilo gore de
George Romero podem tirar o cavalinho da chuva, mal há uma gota de sangue no filme inteiro. Nem por isso o filme é ruim,
pois nessas quase duas horas de filme, você vai ver excelentes cenas de ação,
com efeitos especiais incríveis (vale o 3D), algumas pitadas de humor (mais
concentradas no final) com boas doses de suspense. Esse, por sinal, é um dos
pontos legais da produção, que consegue, mesmo tendo um sem número de licenças
e clichês, envolver você na atmosfera do personagem.
Então mergulhe de cabeça nessa verdadeira corrida
contra o tempo e vá logo assistir a Guerra
Mundial Z (World War Z), que já está com sequência confirmada.
Sinopse
Uma terrível e misteriosa doença se espalha pelo
mundo, transformando as pessoas em uma espécie de zumbis. A velocidade do
contágio é impressionante e logo o Governo americano recruta um ex-investigador
da ONU (Organização das Nações Unidas) para investigar o que pode estar acontecendo
e assim salvar a humanidade, tendo em vista que as previsões são as mais
catastróficas possíveis. Gerry Lane (Brad Pitt) tinha optado por dedicar mais
tempo a sua esposa Karen (Mireille Enos) e as filhas, mas seu amor a pátria e o
desejo de salvar sua família acabam contribuindo para que ele tope a missão.
Agora, ele precisa percorrer o caminho inverso da contaminação para tentar
entender as causas ou, ao menos, indentificar uma maneira de conter o contágio
até que se descubra uma cura antes do
apocalipse. Começa uma verdadeira corrida contra o tempo, que mostra-se
cada vez mais curto, na medida que a população de humanos não para de diminuir.
Ficha Técnica
Direção: Marc Forster
Roteiro: J. Michael
Straczynski, Matthew Michael Carnahan
Elenco: Abigail Hargrove, Ann Ogbomo, Brad Pitt,
Daniella Kertesz, David Andrews, David Morse, Elyes Gabel, Ernesto Cantu,
Fabrizio Zacharee Guido, Féodor Atkine, Gil Cohen-Alloro, Hugh Terry, Jake
Pashkin, James Badge Dale, James Cotter, John Gordon Sinclair, Julia Levy-
Boeken, Julian Seager, Katia Bokor, Katrina Vasilieva, Kingsley Ben-Adir, Leroy
Osei-Bonsu, Matthew Fox, Mireille Enos, Mustafa Harris, Nick Bartlett, Okezie
Morro, Peter Basham, Sami Tesfay, Sterling Jerins, Trevor White, Ulrika
Belogriva, Vicky Araico
Duração: 116 min
Gênero: Ação, Drama, Suspense
Trailer:
- Livro de zumbis:
Baseado no livro "Guerra Mundial Z", de
Max Brooks.
- Comprando os direitos:
O valor pago pela Paramount pelos direitos de
adaptação não foram divulgados, mas as informações são de que o contrato foi de
seis dígitos.
- Atores cotados:
Os atores Ed Harris e Matthew Fox chegaram a ser
escalados para a produção, mas conflitos de agenda impediram a participação de
ambos.
- Filadélfia no Reino Unido:
Rodado em várias locações do Reino Unido, como
Glasgow e Escócia.
Para que o local ficasse parecido com a Filadélfia,
carros, caminhões e até placas de rua foram importadas para a devida
caracterização. O motivo dessa operação foi fugir das altas taxas, uma vez que
não foi oferecida nenhuma redução de impostos para a produção rodar por lá.
- Herói do set:
Durante uma das cenas que envolviam uma multidão de
zumbis, uma das figurantes caiu no chão e começou a ser pisoteada. A situação
só não foi pior porque o astro Brad Pitt a pegou, colocou-a nas costas e saiu do
local antes que se tornasse algo mais grave. O agradecimento ao galã veio
somente depois que a cena foi concluída.
- Produção complicada:
A produção de Guerra
Mundial Z passou por diversas dificuldades: mudanças no roteiro,
gravação de novas cenas, problemas com os efeitos especiais... Após todas essas
alterações, o filme teve sua estreia adiada em mais de seis meses.
- Improvisação:
Para garantir um maior realismo em Guerra Mundial Z, a maioria das cenas
familiares foram improvisadas pelos atores.
- Figurantes:
Nas cenas do início da epidemia, em Glasgow, foram
utilizados 200 figurantes para dar a impressão de uma multidão. Em outra
filmagem, a produção contou com um total de 700 figurantes.
Imagens:











A CORRENTE Capítulo 8 - Estevão Ribeiro
Série A CORRENTE:
(Leia Antes: Prólogo, Capítulos: 1, 2, 3, 4, 5, 6)
Você faz um belo trabalho e eu não gostaria de vê-la morta...
Os policiais ignoram a campainha e batem na porta.
Depois de uma rápida averiguada pelo olho mágico e com um cigarro entre os dedos, Lídia os recebe no apartamento de Roberto.
– Bom dia. Foi daqui que partiu a ocorrência? – diz o cabo Dante, de acordo com a identificação no uniforme, um homem negro, alto e de corpo atlético.
– S-sim, é daqui mesmo – responde Lídia em voz baixa, entre uma tragada e outra, ainda meio insegura sobre o que está fazendo. Leva o dedo indicador à frente da boca, num sinal que solicita silêncio aos policiais.
Acompanhado do soldado Da Matta, um jovem de cabeça raspada e espinhas no rosto, o cabo Dante entra na sala, caminhando astutamente com uma arma apontada para o chão.
Dante e Da Matta dão uma pequena vasculhada visual pela sala e Lídia faz um sinal para eles, guiando-os à distância, apontando para o corredor e, em seguida, para a porta do escritório.
Os policiais agem como grandes predadores procurando a sua presa, checando o corredor, sempre alternando as suas posições, um dando cobertura ao outro.
Chegando à porta do escritório de Roberto, Dante olha para Lídia, que confirma silenciosamente com a cabeça a prisão do ex-namorado.
– Ele está armado? – sussurra o cabo.
– Não – responde Lídia, prontamente. – Ele detesta armas. Acho que não tem perigo algum. Ainda deve estar desmaiado. – conclui, entregando as chaves a Da Matta.
O cabo dirige para o soldado um olhar que ele parece conhecer. Recebida a ordem silenciosa, Da Matta coloca cuidadosamente a chave na porta, tentando fazer o mínimo barulho possível.
Depois de girar a chave silenciosamente, Da Matta termina de destrancar a porta e Dante torce a maçaneta com cautela.
Abruptamente, Dante abre a porta e Da Matta entra, apontando a arma para o lado direito do quarto. Menos de dois segundos depois, Dante entra, cobrindo o lado esquerdo. Ambos gritam palavras de ordem, mas o fazem para uma sala vazia, que não abriga armários ou nenhum lugar onde um rapaz levemente acima do peso para a sua estatura poderia se esconder.
– Cadê ele? – pergunta Lídia, sem entender nada.
A sala desorganizada mostra que ele havia acordado e que teve tempo para arquitetar sua fuga. Para Lídia, aquela sala vazia tem um significado maior: a sua vida ainda corre perigo, como comprova o monitor do computador de Roberto, com a seguinte mensagem em sua tela negra:
Te encontro no fim da lista, lilitop.
Naquele mesmo momento, Ingrid está em casa, acessando o seu e-mail. Ela preenche a área destinada ao usuário e, em seguida, à senha.
Seus finos dedos digitam com a pressa de costume o nome do correio eletrônico, mas um descuido lhe faz errar a senha.
– Droga! – resmunga a descendente de japoneses.
Ela volta à tela inicial e preenche novamente os dados com atenção redobrada.
Ingrid aguarda pacientemente a barra chegar de 0 a 80%. O computador velho, fruto do escritório do seu pai, faz tudo parecer mais difícil, mas ela gosta. Até a impressora matricial tem seu charme, fazendo sons irritantes cada vez que precisa imprimir algum texto. O seu pai reclama. Ela adora.
De repente, Ingrid ouve passos. Com certeza é Nayumi Misamoto, sua mãe, querendo saber se ela está preparada para a entrevista de emprego. Ela não pode vê-la na internet.
A forma mais clara de descrever Nayumi é como o original envelhecido, porém conservado, de onde sua filha foi copiada. Ela ainda não tem fios brancos em sua cabeleira delgada e em seu rosto mora o segredo indecifrável da longevidade japonesa.
– Ingrid! – diz a mãe, num tom imperativo, do corredor que leva ao quarto da filha. – Já está pronta?
– Vou tomar banho agora, mã! – responde Ingrid, desligando o monitor.
Nayumi entra no quarto e encontra a filha de pé, de frente para ela, tapando a luz piloto do computador.
– Você estava na internet? – pergunta a mãe, desconfiada. – Você sabe que só pode mexer com computador depois que arrumar um emprego, como o seu pai disse, né?
– Claro, mã! – diz a garota com um sorriso angelical. – Agora, dá licença que eu preciso me preparar para entrevista, tá?
– Tudo bem! – conclui a mãe, dando-lhe as costas e saindo do quarto. – Mas ande depressa ou vai se atrasar!
Com o assunto encerrado, Ingrid respira aliviada. Então liga o monitor e vê uma lista de doze mensagens, entre as quais se encontram e-mails de frequentadores de seu blog, um ou outro spam de produtos ou serviços e, finalmente, da desconhecida que postou uma mensagem em seu blog, Bruna.
O e-mail trazia em sua linha Assunto a mensagem “Gostei do seu Blog!”.
Contente por achar que conquistou mais uma admiradora, “Uma garota finalmente!”, não hesita em querer ler seu conteúdo.
A demora maior que a habitual para carregar o e-mail deixa Ingrid nervosa, ora movendo o cursor do mouse para direita e para esquerda, ora fazendo círculos, para constatar se o computador não havia travado, uma plausível explicação para a demora.
Finalmente, a mensagem aparece.
Olá, Ingrid.gatinh@!
Como eu te disse, gostei muito de seu blog. É divertido, moderno, bem ilustrado, em suma, é uma gracinha.
Gostaria muito de vê-lo atualizado por muito tempo e lhe dou uma chance de você continuar em condições de fazer isso.
Mande esta mensagem para sete pessoas. Não me faça perguntas, apenas faça o que eu lhe pedi.
Você faz um belo trabalho e eu não gostaria de vê-la morta...
Apesar das raízes japonesas, o ato instantâneo de Ingrid foi o de se benzer. Ficou estremecida com o que leu, pois do canto particular e positivo de seu blog achava que poderia vir de tudo, menos uma ameaça de morte.
Supersticiosa, Ingrid clica no botão “Encaminhar” da barra de ferramentas de sua caixa postal e começa a escolher sete endereços para enviar a funesta mensagem. Seus dedos suados escorregam no teclado, seu coração acelerado já se recobrou do susto inicial, mas ela sente que precisa passar aquela corrente para frente o quanto antes.
Olhando para os sete endereços eletrônicos escolhidos, Ingrid prepara-se para apertar o botão “Enviar”.
Três batidas na madeira, uma mexida na maçaneta e Alexandro aparece sem cerimônias no quarto da filha. Ela mal tem tempo de desligar o monitor antes que ele perceba.
– Não vai tomar banho? Eu só posso te dar carona se você se arrumar rapidinho! – reclama o pai da garota, apressado.
Antes que seu pai desconfiasse, Ingrid pega uma toalha e parte para o banheiro, sob o olhar fulminante de Alexandro.
Ingrid entra no chuveiro, ensaiando mentalmente as respostas que dará para cada pergunta que possa vir do seu entrevistador, vez ou outra deixando um “com certeza, senhor”, como se concordasse com o chefe imaginário.
Talvez estivesse tão entretida com o banho e a entrevista mental que não percebeu a sombra se aproximando da cortina do banheiro.
Enquanto a jovem estava de olhos fechados e com o rosto mergulhado no jato do chuveiro quente, a sombra se aproxima cada vez mais.
A cortina se abre, uma mão está levantada. Algo corta o ar com uma velocidade e só para quando encontra a pele de Ingrid.
A garota grita inicialmente de susto, por ser interrompida no banho. Imediatamente sente no corpo as marcas do invasor. A pele machuca e queima, mas não consegue evitar mais um golpe. A ferida em forma de tira no braço não deixa dúvidas.
É o cinto do seu pai.
– Eu já não te falei que não quero você na internet? – grita Alexandro, finalizando com uma terceira lambada de cinto nas costas da filha. – Vai aprender agora, vai? – Alexandro sai ofegante e molhado, deixando a filha chorando debaixo da ducha quente.
Ingrid perde a noção do tempo que ficou no banheiro, mas assim que cai em si, enrola-se na toalha, decidida a não se atrasar para a sua entrevista. Precisa do emprego para sair de casa o quanto antes.
Devagar, olha para todos os lados a caminho de seu quarto. Não quer ser pega de surpresa novamente por Alexandro. E não vai mais, pois Ingrid promete a si que esta foi a última vez que seu pai a machucou.
Percebe um barulho vindo de seu quarto. À medida que caminha, Ingrid ouve outros ruídos, junto a um som mecânico intermitente.
A poucos passos da porta do quarto, Ingrid reconhece alguns dos sons: sua impressora matricial puxando o papel e imprimindo freneticamente, o som do HD do seu velho computador trabalhando, a voz de seu pai interrompida diversas vezes por um estalo seco.
– M.. pher..fia! Me...erhoa...ilha!
Esse sussurro, que se confunde com uma fervorosa oração, aumenta à medida que ela se aproxima da porta. Os estalos secos que alternavam com ele também atingiam uma altura considerável. Ingrid começa então a ficar nervosa.
Ela chega o mais próximo que sua coragem permite e ouve a voz chorosa de seu pai um pouco mais compreensiva.
– Me... Perdoa... Filha!
Ao sentir a dor nas palavras de Alexandro, Ingrid invade o quarto, num rompante e se depara com uma cena que lhe fez gritar histericamente.
Seu pai ajoelhado no meio do quarto, ao lado do computador, encharcado de sangue, batendo contra as suas costas, peitos e barriga com o cinto que usou para castigá-la. A impressora cospe as folhas no chão do quarto, encharcadas com o sangue de um homem desesperado.
– Me perdoa, filha! – diz ele, depois de cada golpe que se desfere, usando a fivela como arma. Seu olhar é o de um morto, que contempla por entre os cabelos suados e ensanguentados de sua franja a cria diante da porta, estarrecida com a grotesca cena. Não escolhe lugar para bater, levando a fivela do cinto para as costas e, com a mesma intensidade que abre as feridas, golpea-se no peito.
– O-o que v-você está fazendo, pai? – indaga a filha, desesperada.
– Me perdoa, meu neném! – disse Alexandro, entre um golpe e outro. – Eu apaguei seus e-mails, pensando que assim eu lhe daria a lição que você merecia! – e mais um golpe. – Mas quando eu terminei, a impressora começou a cuspir papel e eu havia entendido o que eu fiz! EU NÃO MEREÇO VIVER! – conclui o pai, enlouquecido, colocando o cinto em volta do pescoço e, enfiando a ponta do cinto dentro da fivela, criou assim uma forca, puxa-o com as duas mãos, empregando toda a sua força.
– PAI, NÃO! – exclama Ingrid, correndo em direção ao pai, trêmulo com a traqueia dilacerada pela compressão do cinto. A fivela atinge a jugular, fazendo descer garganta abaixo um rio de sangue.
Alexandro cede, assim, a uma morte lenta .
A mãe de Ingrid entra no quarto e vê a filha seminua ajoelhada diante do pai, chorando, cercada pelo papel da impressora que projeta para o chão do quarto os últimos metros. – Meu Deus! ALEXANDRO! – grita histericamente Nayumi, correndo para ajudar a filha.
A garota, olhando para o chão do seu quarto, ignora os gritos da mãe junto ao corpo do pai e, enxugando as lágrimas de seu rosto molhado, pega uma parte do papel impresso e sente seu coração parar ao lê-lo:
vocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecond
enousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousua
filhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavoce
condenousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavoceconde
nousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousua
filhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavoc
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usuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilha
vocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecondenousuafilhavocecon
denousuafilhavocecondenou
Ingrid olha para aquela folha, que, como todas as outras encontradas no chão de seu quarto, dita a sua morte, tornando-a tão evidente quanto a de seu pai, agonizante nos trêmulos braços da mãe. Nayumi também está moribunda, pelo menos espiritualmente.
– M-mãe? – diz Ingrid, dando passos hesitantes em direção à sua pálida mãe, apavorada com tudo o que lera. – O que eu faço? O que está acontecendo, mãe?
Nayumi olha para a filha, levantando o rosto avermelhado, dando a impressão de que todo o sangue daquele corpo magro está reunido ali. As lágrimas minam de seus olhos como se toda a sua vida se esvaísse por eles.
– O que está acontecendo? – diz a mãe, fora de si. – VOCÊ é quem devia me dizer o que está acontecendo! Seu pai está morrendo! – continua Nayumi, levantando abruptamente, partindo em direção a Ingrid.
Apesar de finos, os braços de Nayumi mostram-se eficazes para segurar a filha que se debate assustada na altura dos ombros.
– Você vai me dizer o que fez com o seu pai, menina! O que você falou para ele? FALA!
Nayumi está descontrolada, capaz de matar a própria filha. Porém, a garota a empurra com força o bastante para fazê-la recuar, tropeçando no marido e caindo em cima da cama de Ingrid, atrás de Alexandro.
– SAI DAQUI! – grita Ingrid, instintivamente. – Ele que me bateu! Eu não fiz nada!
Ingrid nunca levantara a mão contra a sua mãe, mas sente que aquela é a hora de fazê-lo, pois já apanhou de seu pai e não quer que sua mãe complete o serviço.
Então o rosto de Nayumi, que se compara ao de sua filha em beleza, toma ares de ódio, evidenciando rugas e olheiras. Naquele estado bestial, olha para a filha enquanto ouve vozes que parecem vir de todo o lugar, ecoando pelo seu crânio.
– Você não presta – dita a voz para Nayumi, que repete imediatamente para a filha:
– Você não presta!
– O-quê? Mãe? – diz Ingrid, perturbada, olhando para a enlouquecida mãe.
– Você matou seu pai, vadia – sussurra a voz para a mulher.
– Você matou seu pai, vadia – repete a mãe, movimentando se na cama como uma cobra, olhando para a filha com olhos inflamados de ódio.
– Por que você está falando assim, mãe? – diz Ingrid, chorando, recuando até bater com as costas na porta do armário. Ela precisa pegar um vestido e sumir dali. Para não dar as costas à mãe, Ingrid abre a porta do espelho, podendo assim vigiar seus movimentos pelo reflexo.
Puxa do cabide o primeiro vestido que encontra, mas o que vê pelo reflexo quase faz com que o esqueça. Sua mãe a olha com um ódio demoníaco enquanto a figura de uma garota carbonizada balbucia algo em seu ouvido.
Em seguida, salivando como um cão treinado para matar, Nayumi fala para a sua cria.
– Você vai morrer!
Ingrid grita enquanto abre a porta do quarto, vendo a mãe correr em sua direção. A sede de Nayumi pela filha a faz ignorar que está pisando no pescoço de seu marido. A diminuta esperança que a blogueira tinha de salvar seu pai se perde no caminho do corredor.
A garota, que há menos de uma hora tinha uma mãe zelosa, que lhe cercava de cuidados, agora se depara com um ser diabólico em seu encalço, querendo cumprir a sentença anunciada.
Ingrid consegue ser mais rápida que a mãe, passa pela porta e a usa como escudo. Se a mulher abri-la, Ingrid sabe que estará morta.
Nayumi puxa a porta com uma força descomunal, inflada pela presença de Bruna. Por vezes chega a conseguir desencaixá-la do marco, mas graças à resistência da filha, não passa disso.
Aquela situação vai se tornando insuportável para a garota, que resolve deixá-la puxar a porta mais uma vez, sem oferecer resistência.
Conforme previu, sua mãe puxa a porta com tanta força que cai no chão.
Ingrid voa pelo corredor do segundo piso de sua casa, destinada aos quartos, descendo para o primeiro, onde ficam a sala de jantar, cozinha e a sala de estar. Corre, pulando os degraus de dois em dois, rezando para que sua mãe não a pegue. Quando termina de descer as escadas, Nayumi desponta na cabeceira dela, no segundo piso.
– Você vai morrer, vadia!
Tentando ignorar as ameaças de sua mãe e com alguns segundos de vantagem, Ingrid corre em direção à saída daquele inferno, a sua salvação, a porta da sala.
– Trancada – geme baixinho a ofegante garota, ao torcer a maçaneta.
(Leia Antes: Prólogo, Capítulos: 1, 2, 3, 4, 5, 6)
Você faz um belo trabalho e eu não gostaria de vê-la morta...
Os policiais ignoram a campainha e batem na porta.
Depois de uma rápida averiguada pelo olho mágico e com um cigarro entre os dedos, Lídia os recebe no apartamento de Roberto.
– Bom dia. Foi daqui que partiu a ocorrência? – diz o cabo Dante, de acordo com a identificação no uniforme, um homem negro, alto e de corpo atlético.
– S-sim, é daqui mesmo – responde Lídia em voz baixa, entre uma tragada e outra, ainda meio insegura sobre o que está fazendo. Leva o dedo indicador à frente da boca, num sinal que solicita silêncio aos policiais.
Acompanhado do soldado Da Matta, um jovem de cabeça raspada e espinhas no rosto, o cabo Dante entra na sala, caminhando astutamente com uma arma apontada para o chão.
Dante e Da Matta dão uma pequena vasculhada visual pela sala e Lídia faz um sinal para eles, guiando-os à distância, apontando para o corredor e, em seguida, para a porta do escritório.
Os policiais agem como grandes predadores procurando a sua presa, checando o corredor, sempre alternando as suas posições, um dando cobertura ao outro.
Chegando à porta do escritório de Roberto, Dante olha para Lídia, que confirma silenciosamente com a cabeça a prisão do ex-namorado.
– Ele está armado? – sussurra o cabo.
– Não – responde Lídia, prontamente. – Ele detesta armas. Acho que não tem perigo algum. Ainda deve estar desmaiado. – conclui, entregando as chaves a Da Matta.
O cabo dirige para o soldado um olhar que ele parece conhecer. Recebida a ordem silenciosa, Da Matta coloca cuidadosamente a chave na porta, tentando fazer o mínimo barulho possível.
Depois de girar a chave silenciosamente, Da Matta termina de destrancar a porta e Dante torce a maçaneta com cautela.
Abruptamente, Dante abre a porta e Da Matta entra, apontando a arma para o lado direito do quarto. Menos de dois segundos depois, Dante entra, cobrindo o lado esquerdo. Ambos gritam palavras de ordem, mas o fazem para uma sala vazia, que não abriga armários ou nenhum lugar onde um rapaz levemente acima do peso para a sua estatura poderia se esconder.
– Cadê ele? – pergunta Lídia, sem entender nada.
A sala desorganizada mostra que ele havia acordado e que teve tempo para arquitetar sua fuga. Para Lídia, aquela sala vazia tem um significado maior: a sua vida ainda corre perigo, como comprova o monitor do computador de Roberto, com a seguinte mensagem em sua tela negra:
Te encontro no fim da lista, lilitop.
Naquele mesmo momento, Ingrid está em casa, acessando o seu e-mail. Ela preenche a área destinada ao usuário e, em seguida, à senha.
Seus finos dedos digitam com a pressa de costume o nome do correio eletrônico, mas um descuido lhe faz errar a senha.
– Droga! – resmunga a descendente de japoneses.
Ela volta à tela inicial e preenche novamente os dados com atenção redobrada.
Ingrid aguarda pacientemente a barra chegar de 0 a 80%. O computador velho, fruto do escritório do seu pai, faz tudo parecer mais difícil, mas ela gosta. Até a impressora matricial tem seu charme, fazendo sons irritantes cada vez que precisa imprimir algum texto. O seu pai reclama. Ela adora.
De repente, Ingrid ouve passos. Com certeza é Nayumi Misamoto, sua mãe, querendo saber se ela está preparada para a entrevista de emprego. Ela não pode vê-la na internet.
A forma mais clara de descrever Nayumi é como o original envelhecido, porém conservado, de onde sua filha foi copiada. Ela ainda não tem fios brancos em sua cabeleira delgada e em seu rosto mora o segredo indecifrável da longevidade japonesa.
– Ingrid! – diz a mãe, num tom imperativo, do corredor que leva ao quarto da filha. – Já está pronta?
– Vou tomar banho agora, mã! – responde Ingrid, desligando o monitor.
Nayumi entra no quarto e encontra a filha de pé, de frente para ela, tapando a luz piloto do computador.
– Você estava na internet? – pergunta a mãe, desconfiada. – Você sabe que só pode mexer com computador depois que arrumar um emprego, como o seu pai disse, né?
– Claro, mã! – diz a garota com um sorriso angelical. – Agora, dá licença que eu preciso me preparar para entrevista, tá?
– Tudo bem! – conclui a mãe, dando-lhe as costas e saindo do quarto. – Mas ande depressa ou vai se atrasar!
Com o assunto encerrado, Ingrid respira aliviada. Então liga o monitor e vê uma lista de doze mensagens, entre as quais se encontram e-mails de frequentadores de seu blog, um ou outro spam de produtos ou serviços e, finalmente, da desconhecida que postou uma mensagem em seu blog, Bruna.
O e-mail trazia em sua linha Assunto a mensagem “Gostei do seu Blog!”.
Contente por achar que conquistou mais uma admiradora, “Uma garota finalmente!”, não hesita em querer ler seu conteúdo.
A demora maior que a habitual para carregar o e-mail deixa Ingrid nervosa, ora movendo o cursor do mouse para direita e para esquerda, ora fazendo círculos, para constatar se o computador não havia travado, uma plausível explicação para a demora.
Finalmente, a mensagem aparece.
Olá, Ingrid.gatinh@!
Como eu te disse, gostei muito de seu blog. É divertido, moderno, bem ilustrado, em suma, é uma gracinha.
Gostaria muito de vê-lo atualizado por muito tempo e lhe dou uma chance de você continuar em condições de fazer isso.
Mande esta mensagem para sete pessoas. Não me faça perguntas, apenas faça o que eu lhe pedi.
Você faz um belo trabalho e eu não gostaria de vê-la morta...
Ass.: Bruna.
Apesar das raízes japonesas, o ato instantâneo de Ingrid foi o de se benzer. Ficou estremecida com o que leu, pois do canto particular e positivo de seu blog achava que poderia vir de tudo, menos uma ameaça de morte.
Supersticiosa, Ingrid clica no botão “Encaminhar” da barra de ferramentas de sua caixa postal e começa a escolher sete endereços para enviar a funesta mensagem. Seus dedos suados escorregam no teclado, seu coração acelerado já se recobrou do susto inicial, mas ela sente que precisa passar aquela corrente para frente o quanto antes.
Olhando para os sete endereços eletrônicos escolhidos, Ingrid prepara-se para apertar o botão “Enviar”.
Três batidas na madeira, uma mexida na maçaneta e Alexandro aparece sem cerimônias no quarto da filha. Ela mal tem tempo de desligar o monitor antes que ele perceba.
– Não vai tomar banho? Eu só posso te dar carona se você se arrumar rapidinho! – reclama o pai da garota, apressado.
Antes que seu pai desconfiasse, Ingrid pega uma toalha e parte para o banheiro, sob o olhar fulminante de Alexandro.
Ingrid entra no chuveiro, ensaiando mentalmente as respostas que dará para cada pergunta que possa vir do seu entrevistador, vez ou outra deixando um “com certeza, senhor”, como se concordasse com o chefe imaginário.
Talvez estivesse tão entretida com o banho e a entrevista mental que não percebeu a sombra se aproximando da cortina do banheiro.
Enquanto a jovem estava de olhos fechados e com o rosto mergulhado no jato do chuveiro quente, a sombra se aproxima cada vez mais.
A cortina se abre, uma mão está levantada. Algo corta o ar com uma velocidade e só para quando encontra a pele de Ingrid.
A garota grita inicialmente de susto, por ser interrompida no banho. Imediatamente sente no corpo as marcas do invasor. A pele machuca e queima, mas não consegue evitar mais um golpe. A ferida em forma de tira no braço não deixa dúvidas.
É o cinto do seu pai.
– Eu já não te falei que não quero você na internet? – grita Alexandro, finalizando com uma terceira lambada de cinto nas costas da filha. – Vai aprender agora, vai? – Alexandro sai ofegante e molhado, deixando a filha chorando debaixo da ducha quente.
Ingrid perde a noção do tempo que ficou no banheiro, mas assim que cai em si, enrola-se na toalha, decidida a não se atrasar para a sua entrevista. Precisa do emprego para sair de casa o quanto antes.
Devagar, olha para todos os lados a caminho de seu quarto. Não quer ser pega de surpresa novamente por Alexandro. E não vai mais, pois Ingrid promete a si que esta foi a última vez que seu pai a machucou.
Percebe um barulho vindo de seu quarto. À medida que caminha, Ingrid ouve outros ruídos, junto a um som mecânico intermitente.
A poucos passos da porta do quarto, Ingrid reconhece alguns dos sons: sua impressora matricial puxando o papel e imprimindo freneticamente, o som do HD do seu velho computador trabalhando, a voz de seu pai interrompida diversas vezes por um estalo seco.
– M.. pher..fia! Me...erhoa...ilha!
Esse sussurro, que se confunde com uma fervorosa oração, aumenta à medida que ela se aproxima da porta. Os estalos secos que alternavam com ele também atingiam uma altura considerável. Ingrid começa então a ficar nervosa.
Ela chega o mais próximo que sua coragem permite e ouve a voz chorosa de seu pai um pouco mais compreensiva.
– Me... Perdoa... Filha!
Ao sentir a dor nas palavras de Alexandro, Ingrid invade o quarto, num rompante e se depara com uma cena que lhe fez gritar histericamente.
Seu pai ajoelhado no meio do quarto, ao lado do computador, encharcado de sangue, batendo contra as suas costas, peitos e barriga com o cinto que usou para castigá-la. A impressora cospe as folhas no chão do quarto, encharcadas com o sangue de um homem desesperado.
– Me perdoa, filha! – diz ele, depois de cada golpe que se desfere, usando a fivela como arma. Seu olhar é o de um morto, que contempla por entre os cabelos suados e ensanguentados de sua franja a cria diante da porta, estarrecida com a grotesca cena. Não escolhe lugar para bater, levando a fivela do cinto para as costas e, com a mesma intensidade que abre as feridas, golpea-se no peito.
– O-o que v-você está fazendo, pai? – indaga a filha, desesperada.
– Me perdoa, meu neném! – disse Alexandro, entre um golpe e outro. – Eu apaguei seus e-mails, pensando que assim eu lhe daria a lição que você merecia! – e mais um golpe. – Mas quando eu terminei, a impressora começou a cuspir papel e eu havia entendido o que eu fiz! EU NÃO MEREÇO VIVER! – conclui o pai, enlouquecido, colocando o cinto em volta do pescoço e, enfiando a ponta do cinto dentro da fivela, criou assim uma forca, puxa-o com as duas mãos, empregando toda a sua força.
– PAI, NÃO! – exclama Ingrid, correndo em direção ao pai, trêmulo com a traqueia dilacerada pela compressão do cinto. A fivela atinge a jugular, fazendo descer garganta abaixo um rio de sangue.
Alexandro cede, assim, a uma morte lenta .
A mãe de Ingrid entra no quarto e vê a filha seminua ajoelhada diante do pai, chorando, cercada pelo papel da impressora que projeta para o chão do quarto os últimos metros. – Meu Deus! ALEXANDRO! – grita histericamente Nayumi, correndo para ajudar a filha.
A garota, olhando para o chão do seu quarto, ignora os gritos da mãe junto ao corpo do pai e, enxugando as lágrimas de seu rosto molhado, pega uma parte do papel impresso e sente seu coração parar ao lê-lo:
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Ingrid olha para aquela folha, que, como todas as outras encontradas no chão de seu quarto, dita a sua morte, tornando-a tão evidente quanto a de seu pai, agonizante nos trêmulos braços da mãe. Nayumi também está moribunda, pelo menos espiritualmente.
– M-mãe? – diz Ingrid, dando passos hesitantes em direção à sua pálida mãe, apavorada com tudo o que lera. – O que eu faço? O que está acontecendo, mãe?
Nayumi olha para a filha, levantando o rosto avermelhado, dando a impressão de que todo o sangue daquele corpo magro está reunido ali. As lágrimas minam de seus olhos como se toda a sua vida se esvaísse por eles.
– O que está acontecendo? – diz a mãe, fora de si. – VOCÊ é quem devia me dizer o que está acontecendo! Seu pai está morrendo! – continua Nayumi, levantando abruptamente, partindo em direção a Ingrid.
Apesar de finos, os braços de Nayumi mostram-se eficazes para segurar a filha que se debate assustada na altura dos ombros.
– Você vai me dizer o que fez com o seu pai, menina! O que você falou para ele? FALA!
Nayumi está descontrolada, capaz de matar a própria filha. Porém, a garota a empurra com força o bastante para fazê-la recuar, tropeçando no marido e caindo em cima da cama de Ingrid, atrás de Alexandro.
– SAI DAQUI! – grita Ingrid, instintivamente. – Ele que me bateu! Eu não fiz nada!
Ingrid nunca levantara a mão contra a sua mãe, mas sente que aquela é a hora de fazê-lo, pois já apanhou de seu pai e não quer que sua mãe complete o serviço.
Então o rosto de Nayumi, que se compara ao de sua filha em beleza, toma ares de ódio, evidenciando rugas e olheiras. Naquele estado bestial, olha para a filha enquanto ouve vozes que parecem vir de todo o lugar, ecoando pelo seu crânio.
– Você não presta – dita a voz para Nayumi, que repete imediatamente para a filha:
– Você não presta!
– O-quê? Mãe? – diz Ingrid, perturbada, olhando para a enlouquecida mãe.
– Você matou seu pai, vadia – sussurra a voz para a mulher.
– Você matou seu pai, vadia – repete a mãe, movimentando se na cama como uma cobra, olhando para a filha com olhos inflamados de ódio.
– Por que você está falando assim, mãe? – diz Ingrid, chorando, recuando até bater com as costas na porta do armário. Ela precisa pegar um vestido e sumir dali. Para não dar as costas à mãe, Ingrid abre a porta do espelho, podendo assim vigiar seus movimentos pelo reflexo.
Puxa do cabide o primeiro vestido que encontra, mas o que vê pelo reflexo quase faz com que o esqueça. Sua mãe a olha com um ódio demoníaco enquanto a figura de uma garota carbonizada balbucia algo em seu ouvido.
Em seguida, salivando como um cão treinado para matar, Nayumi fala para a sua cria.
– Você vai morrer!
Ingrid grita enquanto abre a porta do quarto, vendo a mãe correr em sua direção. A sede de Nayumi pela filha a faz ignorar que está pisando no pescoço de seu marido. A diminuta esperança que a blogueira tinha de salvar seu pai se perde no caminho do corredor.
A garota, que há menos de uma hora tinha uma mãe zelosa, que lhe cercava de cuidados, agora se depara com um ser diabólico em seu encalço, querendo cumprir a sentença anunciada.
Ingrid consegue ser mais rápida que a mãe, passa pela porta e a usa como escudo. Se a mulher abri-la, Ingrid sabe que estará morta.
Nayumi puxa a porta com uma força descomunal, inflada pela presença de Bruna. Por vezes chega a conseguir desencaixá-la do marco, mas graças à resistência da filha, não passa disso.
Aquela situação vai se tornando insuportável para a garota, que resolve deixá-la puxar a porta mais uma vez, sem oferecer resistência.
Conforme previu, sua mãe puxa a porta com tanta força que cai no chão.
Ingrid voa pelo corredor do segundo piso de sua casa, destinada aos quartos, descendo para o primeiro, onde ficam a sala de jantar, cozinha e a sala de estar. Corre, pulando os degraus de dois em dois, rezando para que sua mãe não a pegue. Quando termina de descer as escadas, Nayumi desponta na cabeceira dela, no segundo piso.
– Você vai morrer, vadia!
Tentando ignorar as ameaças de sua mãe e com alguns segundos de vantagem, Ingrid corre em direção à saída daquele inferno, a sua salvação, a porta da sala.
– Trancada – geme baixinho a ofegante garota, ao torcer a maçaneta.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Conheça as meninas zumbis de The Walking Dead
Vejamos quem são e como estão as meninas que
interpretaram as pequenas zumbis da série de TV americana The Walking Dead.

Logo no primeiro episódio da série, o personagem
Rick Grimes se depara com uma pequena caminhante, a personagem sem nome é
popularmente conhecida com “Little Girl
Zombie” e foi interpretada pela talentosa Addy Miller.

Na segunda temporada da série a personagem Sophia
Peletier, filha de Carol, desaparece e retorna zumbificada, ela foi
interpretada pela jovem atriz Madison Lintz.

Na terceira temporada, fomos apresentados a cidade
de Woodbury e seus habitantes, e no desenrolar da história é mostrado que Brian Philip
Blake, o Governador, tem uma filha de nome Penny que “vive” como zumbi em seu
quarto, ela foi interpretada por Kylie Szymanski.

Até o momento estas são as pequenas zumbis
apresentadas no show, no decorrer das próximas temporadas, quem sabe este número
não aumenta e acrescentamos mais alguns nomes a lista.
Shane e Merle: O peso das escolhas
Indivíduos instáveis do grupo capitaneado por Rick Grimes, são dois belos exemplos do tipo de discussão sobre a moral que Robert Kirkman faz tanto nos quadrinhos quanto na série de televisão: personagens ambíguos, que tomam decisões questionáveis e que põem seu grupo em perigo e que lembram uma frase do filósofo francês Jean-Paul Sartre: “o homem está condenado a ser livre”.
Tal frase parece fazer ainda mais sentido no mundo de The Walking Dead: passada o estágio inicial da epidemia zumbi e todo o pânico e desordem, agora que convenções como contar os dias segundo o calendário romano, agora que a sociedade se desfez em pequenos grupos que lutam para sobreviver ao ataque dos mortos-vivos e da transformação moral pela qual passam algum de seus indivíduos. Após a ruína do Estado, da religião organizada, das ideologias políticas, prevalecem de certa forma as ideias de Sartre: o homem é responsável pelas sua ações.
Ou seja, antes de atribuir à divindade ou à natureza, os indivíduos que são responsáveis pela produção da “essência”, ou do “sentido” de suas existências. Na construção dos personagens ao longo da série, vemos os “bad boys” Shane e Merle optarem e praticarem e, logo em seguida, terem que arcar com cada mentira, discussão ou ataque físico. E a própria maneira de arcar de cada um deles revela um pouquinho do que Kirkman intentou.
Shane, ao descobrir que Rick estava vivo, teve que resignar-se: ele não seria mais o líder – já que o policial dado como morto parecia mais racional em suas decisões quanto à sobrevivêndia do grupo – e também teve que ver sua paixão, Lori, voltar para os braços do marido. Tendo que viver tanto em um estado de negação quanto de mentira, tornou-se cada vez mais violento: desde tentar agarrar Lori à força mesmo diante de negativas até chegar ao ponto de matar Otis como “isca” para os zumbis que seguiam os dois enquanto tentavam fugir com os remédios que tratariam da saúde de Carl.
A decadência moral de Shane fez o mesmo ser considerado um indivíduo perigoso para o seu grupo, a sociedade que pertencia nesse momento: ele não respeitara mais a lei de Hershel de não matar os zumbis do celeiro, passara a desrespeitar as ordens de Rick seguidas de forma consensual pelo grupo e tornou-se incapaz de lidar com pontos de vista contrários: tanto de Lori, que o frustrou imensamente quando percebeu que não poderia obrigá-la a ficar com ele (ao que parece pela construção do personagem, não por respeitar a liberdade de escolha dela, já que o mesmo parece acreditar que ela seria sua por direito, mas quando viu que a sociedade não toleraria, teve que abaixar a cabeça) quanto de ameaçar Dale de morte quando o mesmo suspeitava da mentira sobre Otis.
Matar Otis destruiu Shane; matar quem o ameaça pode até ser justificável, mas matar um homem inocente para se salvar é um ato de transgressão moral que desrespeita, em si, todo o pensamento da “minha liberdade acabar enquanto a sua começar”. Shane nesse momento entra não só em crise moral mas em decadência social. Mentir, ameaçar, chantagear, manter relações por impulsão. Shane parou de pensar com a cabeça para ser governado pelo medo, pela vontade de ficar vivo, para se vingar de um mundo que não lhe deu o que queria: a consequência, após completo afastamento, foi a morte pelas mãos de seu melhor amigo Rick e, em seguida, pelas mãos do menino que já começava a considerar como um filho, Carl (o que pode ser considerado como um dos catalisadores da frieza rapidamente assimilada pelo garoto).
| Shane Walsh encontra seu fim no penúltimo episódio da segunda temporada. |
Se o grupo de Rick ainda sobrevive após tanto tempo, é porque se expõe para o outro, conferencia, dialoga, suporta um ao outro. É isso que faz esse pequeno grupo chamar tanto a atenção do Governador, e sua Woodbury que, apesar de numerosa, é governada pelo medo, insegurança e as mentiras de um psicopata amoral.
E é nesse lugar que descobrimos Merle, que havíamos encontrado brevemente na primeira temporada, dessa vez ganhando um pouco mais de espaço e protagonismo. O redneck brutal, racista e impiedoso é desenvolvido, agora, como também um indivíduo. Merle, que admitiu no episódio 15 da terceira temporada, “This Sorrowful Life”, que nunca matara ninguém até a epidemia zumbi estourar e tornar-se capanga do Governador, é um homem devastado: órfão de mãe, filho de pai alcoolatra e negligente, acabou por desenvolver uma profunda misantropia canalizada através da intolerância, tomando para si a responsabilidade de criar o seu irmão, os dois tornando-se excelentes e mortíferos rastreadores e caçadores.
Separados através do incidente de Atlanta, os irmãos Dixon enfrentaram dilemas e contextos distintos mas igualmente duros; mas cada um aprendeu a reagir de forma diferente frente às adversidades. Enquanto Daryl aprendeu a ser tolerante, a cooperar, a pensar além do laço de sangue e partilhar um senso de comunidade com negros, brancos, asiáticos e latinos, com pessoas mais jovens e também mais maduras, com exigências, cobranças e senso de dever, Merle como capanga é obrigado, para ficar vivo, a executar a mando do governador inocentes; à sequestrar, torturar e intimidar. Um “pau pra toda obra” que, em sua cabeça, “faz o que deve ser feito”.
Merle, com sua subjetividade construída de maneira hostil e agressiva, obviamente não queria ver o grupo da prisão nem pintado de ouro. Movido por instinto de sobrevivência, arrancou a própria mão, matou homens a serviço do Governador e, novamente, sentiu a decepção ao ser traído pelo seu líder que, não apenas totalitário, também vale-se de mentiras e demagogia ao seu bel-prazer. É na terceira temporada que aprendemos que, ainda com todas as suas falhas de caráter, Merle não é, como seu líder, um psicopata.
É justamente no penúltimo episódio da terceira temporada que, finalmente, Michonne consegue tocar no fundo na carranca raivosa que despertou tanta antpiatia ao decorrer da temporada. Merle não hesita em matar, mas jamais gostou de matar. É justamente esse pensamento de “sobrevivência a qualquer custo” que garantiu que sua vida durasse tanto, mas a um custo que o destruiu socialmente: sempre transparente em suas ações e opiniões, tornou-se maldito tanto para o grupo da prisão tanto quanto para Woodbury.
E aí que descobrimos o quanto isso corroía Merle por dentro: busca desesperada por drogas, estranhamento e afastamento do irmão, atrito com Rick, Carol e Glenn. Ele, assim como Shane, não gostou nada do que fez. Ambos justificavam suas ações através de uma profunda indignação (Shane, com sua mentalidade machista, possessiva e autoritária, Merle com sua lógica preconceituosa, desobediente e desajustada). Ambos, com suas escolhas, ameaçaram a segurança e a unidade do grupo.
Mas o penúltimo episódio, através de um ato de redenção, diferenciou Merle de Shane.
Notoriamente racista, foi surpreendente em seu último episódio ele finalmente ser atingido por Michonne – talvez por, assim como Daryl, identificar-se com o outro. No caso, a sobrevivente Michonne, desconfiada, séria e fria na superfície, que também passou, ao se relacionar socialmente com grupos maiores, por desconfiança e suspeita.
Ao se tornar explícita sua condição de pária através dos diálogos, a resolução final de Merle é em grande estilo: ele sabe que Rick, mesmo com a pose de durão e muitas vezes falando grosso, ainda é um indivíduo profundamente perturbado, nem sempre com a coragem necessária para fazer o que deve ser feito e constantemente em dúvida. Não se dá por satisfeito apenas libertando Michonne mas indo combater o arqui-inimigo, o que manipula, tiraniza e mata ao bel-prazer.
E aí que o tal redneck, viciado, racista, brutal e que já executou quase duas dezenas de pessoas tem sua vez de provar-se humano, colocando-se em risco pela primeira vez não para ganhar status, não para intimidar ou provocar, mas para ajudar o grupo que o seu irmão tornara-se devoto, levando-o quase a ser abandonado por Daryl. Se antes, só voltara à prisão porque Daryl estava indo, agora ele “fez o que deve ser feito” de forma espontânea. Como um ato de sacrifício que enfraquece as forças do Governador.
Somos o que nossas escolhas fazem de nós: apesar de injusta, a morte de Merle, por causa de sua tomada de consciência, foi muito mais “digna” que a de Shane. Enquanto Shane acabou por tornar-se um traidor, um desertor da causa, Merle foi o “soldado pródigo”, que resolveu voltar para o seu batalhão no último minuto e escolheu morrer lutando. Existem mortes e mortes. O Shane zumbi foi erradicado devido à sua ameaça. O Merle zumbi teve alguém para o seguir e para o colocar no descanso eterno. Com certeza soltar Michonne e armar uma ofensiva solitária contra o Governador o fez crescer nos olhos de muita gente.
Walking Dead é uma das séries que mais lembram a importância e o peso das nossas escolhas, da nossa responsabilidade enquanto indivíduos de arcar com a consequência de nossos atos. Se toda ação tem uma reação, no mundo de Walking Dead isso é uma constante muito mais explícita e importante: cada pequena escolha, construída ao longo de vários episódios, irá nos dizer o quanto sobreviveremos antes de tombar e voltar como um deles. Nossas escolhas e nossos sacrifícios pessoais dizem sobre nós o quanto valorizamos a vida – e no caso do sacrifício do “eu”, o quanto valorizamos a posterioridade. Há os que só pensam no agora, há os que só pensam no futuro – e seus atritos enquanto indivíduos. Shane e Merle são, entre outros tantos, dois exemplares fascinantes da variada fauna humana de The Walking Dead, uma série essencialmente sobre humanidade e consciência.
Por que o numero 666 é do Diabo?
A explicação mais conhecida está no Apocalipse, o último livro da Bíblia, apesar de metade da sua rua ter tomado conhecimento do número por meio do Iron Maiden. Encontra-se no capítulo 13, versículo 18 a seguinte passagem: “Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis”. Os teólogos Isidoro Mazzarolo e Leomar Brustolin ajudam a interpretar o trecho, a fim de entender o significado do famoso número satânico.
Primeiramente, o trecho bíblico diz que o número 666 é o número de um homem. Segundo Brustolin, que coordena o curso de pós-graduação da Faculdade de Teologia da PUCRS, o homem ao qual o autor do se refere é César Nero. Nero foi um dos imperadores de Roma que mais perseguiu os cristãos. Por isso, os adeptos do cristianismo passaram chamar o imperador de “besta”. Para que não fossem reprimidos por afrontar Nero, resolveram usar uma espécie de código para se referir ao tirano. Os fiéis relacionaram as letras hebraicas que formavam o nome do imperador a números.
“No alfabeto hebraico, esse nome (César Nero), em número, vai dar 666”, diz Brustolin. O teólogo Isidoro Mazzarollo acrescenta que o Apocalipse não quis atingir somente Nero, mas todos os imperadores perversos. “Qualquer rei que seja mau, qualquer déspota que seja mau, é, de fato, uma besta para o autor do Apocalipse”.
Além disso, há uma simbologia do cristianismo que atribui significados a todos os números. Dentro dessa simbologia, Brustolin explica que o número seis foi, por diversas vezes, citado na Bíblia como o número imperfeito e antagônico ao bem. O fato de estar repetido três vezes significa a plenitude. The Number of the Beast, de fato.
Fonte: Super Interessante
O primeiro filme de zumbi do Paquistão
O filme Waking Dead foi produzido em Dubai e tem no elenco os atores Nitin Mirani, Nadia Williams e Nidhi Jha. O curta foi produzido em menos de três dias por Usman que gostou da nova experiência com atores internacionais.
“Não há dúvida que há talentos neste pais (Paquistão), mas não existem instituições adequadas de apoio” diz Usman Mukhtar. Esse não é um problema exclusivo do Paquistão, no Brasil e em outros paises subdesenvolvidos não conseguem apoio de empresários para as produções.
A maquiagem foi feita por Nouf Al Jhadhami e os diálogos por Shahana Khan, o filme se encontra em pós-produção. Acompanhe o Universo Zumbi para saber mais informações.
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