sábado, 21 de setembro de 2013

A CORRENTE Capítulo 15 - Estevão Ribeiro

Série A CORRENTE:
(Leia Antes: Prólogo, Capítulos: 1, 2, 3, 4, 5, 6,8, 9,10,11,12,13)

Capítulo 15 – É tempo de eliminar a próxima pessoa da lista, Jeremias... Depois, volto para te matar.

 

Levantando desesperado de sua cadeira, Jeremias afasta-se do computador. Mas a força que domina a sua máquina não a abandona. A impressora liga sem nenhum comando. O som da máquina puxando o papel sem qualquer aviso pega o rapaz de surpresa.
Apesar de apavorado, ele vê o que está sendo impresso. À medida que a folha é empurrada para fora da impressora, pode ver as primeiras letras.

SENTE-
         OU MO

Ele aguarda impaciente cada letra cuspida pelo equipamento. Seu medo o faz tremer.

SENTE-SE AGORA
          OU MORRA DE PÉ!

Jeremias gela. Esperar pela mensagem não a tornou menos branda. Não querendo desafiar o desconhecido, senta em frente ao monitor e observa cada palavra surgida na tela do computador, sentindo que a sua sobrevivência dependeria disso.

Bem, agora que você voltou para o seu lugar, voltarei à história.

Jeremias lê a mensagem, mas não está totalmente concentrado. Vez ou outra olha para o botão de desligar do computador, pensando seriamente em desativar a máquina. Ainda assim, continua a ler o texto à medida em que surge na tela.

Com a doença avançando, ficou dispendioso para o pai cuidar de uma filha com as limitações que ela apresentava, mas ele tentou de todas as formas. Até que um de seus alunos teve uma grande ideia:
abrir uma conta e arrecadar fundos para equipar o quarto da menina, garantindo assim uma vida minimamente digna.
Jeremias não consegue desgrudar os olhos da linha que se formava na tela. Esquece mesmo o quão estranho é a maneira que tudo está acontecendo. Ele ignora o sobrenatural, permitindo-se a comoção com a triste história.

A campanha foi um sucesso! O último extrato tirado pelo dedicado professor foi que a menina tinha mais de R$ 30 mil na sua conta. Tudo com doações de amigos, ex e atuais alunos e, principalmente, vindas pela internet, onde o dedicado estudante espalhou mensagens emocionadas com fotos da pobre menina no auge da sua juventude, brincando com os pombos nos raros momentos em que deixa escapar um sorriso.
As outras fotos em nada lembravam a garota. Seca, acamada e com um olhar perdido, ela era exposta na internet como algo digno de pena... E da doação alheia.
Sua exposição custaria o emprego do pai, porque o fato chegou ao conhecimento do conselho da escola, que não achou ética a campanha.
Sem muitas opções, o professor desempregado procura os recursos destinados à sua filha na conta aberta pelo aluno e descobre que não existiam mais.

– Filho da puta! – pragueja Jeremias, como se visse um jogo de futebol. – O cara roubou a menina!

 O dedicado aluno jurava em meio a lágrimas que nada tinha feito com o dinheiro. Segundo ele, uma hora ele foi checar a conta pela internet, digitou a sua senha e não conseguiu entrar. Minutos depois, tentou novamente, viu a conta zerada e nada fez, pois imaginava que o próprio professor havia retirado o dinheiro.
O pai nunca soube o que realmente aconteceu. É um homem estudado, mas a internet e suas armadilhas ainda eram um mistério para ele.
Sua mulher, culpando o marido por todo o sofrimento causado à família, fez o que lhe parecia melhor. Sumiu no mundo.
As histórias que contavam na vizinhança era que ela enlouqueceu, pulou da janela, tentando seguir os pombos. O professor cansou de responder sobre o sumiço de sua esposa e deixou o povo falar.
Nunca mais viveu com mulher alguma.
A menina falava com dificuldades e sabia que tudo aquilo iria piorar. E os sete anos na cama, vendo tudo em sua volta ruir e embolorar, provaram que ela estava certa.


 – Cara, que história foda! Será que é verdade mesmo? – Jeremias está comovido com o texto.

Se você quiser saber como esta história acaba, mande esta mensagem para sete pessoas. Assim você se salva e conhecerá um pouco mais da menina, ou seja, de mim! 

Os olhos de Jeremias estão secos quando termina de ler a macabra advertência. Sua garganta está fechada e seus dedos tremem. Imediatamente, olha para o botão que desliga o computador. Seu indicador projeta-se com uma força tremenda e, apesar de quebrar o botão, finalmente consegue desativar a máquina com êxito.
– Não pode ser verdade! Essa deve ser a melhor pegadinha que eu já recebi! – tenta iludir-se o desesperado e ofegante Jeremias, que dá conta do absurdo de toda a situação.
O silêncio do quarto é fúnebre, quebrado apenas por sua respiração. Ele espera algo apavorante aparecer, um bicho quebrar a janela – apesar de ser gradeada – e assim fica por alguns minutos.
Pensa em ir até a porta fechada, mas assim que se levanta, a sua impressora volta a funcionar. Dessa vez, o ruído abrupto do papel sendo puxado pela máquina o faz gritar.
A impressora engole a folha em branco velozmente e a cospe de volta. Jeremias não tem coragem de pegar o papel, temendo mais uma mensagem ameaçadora. Ele decide sair do quarto: vai em direção à porta e toca a maçaneta, tenta girá-la sem êxito. Sem alternativas, Jeremias pega a carta.


Você não acreditou mesmo, não é? Por que é tão difícil acreditar que eu estou aqui, Jeremias? Eu apenas pedi passagem pelo seu computador, assim como passei por muitos, com resultados trágicos, é verdade. Mas te dei uma chance! Contei parte da minha história e, se você tivesse feito o que pedi, você a conheceria completamente... E salvaria a sua vida!
É tempo de eliminar a próxima pessoa da lista, Jeremias... Depois, volto para te matar.

Até já,
Bruna

Jeremias gela e corre para o computador. Tenta ligar a máquina, mas o botão está quebrado. Outra folha é puxada pela impressora e Jeremias procura a chave de fenda para abrir o gabinete e ligá-lo.
Sente que aquela folha que está sendo impressa pode ser o último recado de Bruna antes que ele morra.

 Na área em reformas do hospital Santo Antônio, Ingrid, Plínio, Lídia e Roberto continuam olhando a luz no fim do corredor. Dali veio uma voz suave, que os convidou a irem até lá. Na esperança de encontrar alguma resposta, Plínio dá seus primeiros passos.
– Ei, calma aí, cara! Você está louco? – Roberto segura Plínio pela manga da camisa.
– Aqui não podemos ficar, Roberto – Plínio se solta bruscamente do braço de Roberto. – A porta está fechada e tem policiais na recepção. Se tem alguém que pode nos fornecer respostas no fim do corredor, é para lá que vamos. Certo, pessoal?
A incerteza toma conta do grupo. Plínio ainda está incrédulo porque viu pouco do que Bruna é capaz, mas Lídia e Ingrid viram coisas estranhas demais para correr para a boca do lobo assim. – Pessoal? Vamos seguir em frente!
O silêncio reina. Lídia, Ingrid e Roberto não estão dispostos a acompanhá-lo. O medo que toma Roberto agora tem os sentimentos das jovens como companhia.
– É m-melhor nos entregarmos – Ingrid se dirige à porta, seriamente transtornada. – T-talvez se gritarmos, a p-polícia tira a gente daqui e...
– Não! – grita Roberto. – A Leda está nos esperando aí! Eu a vi segurando a porta, Ingrid! Passar por aí é morte na certa!
 – Ah, é? – Lídia questiona. – Então, o que você quer que façamos, Roberto? Você nos colocou nessa, cara! O que devemos fazer, hein? O QUE VAMOS FAZER? – fala, empurrando o ex namorado na parede, tão transtornada quanto Ingrid.
– Eu sei o que vamos fazer – comunica Plínio, sacando um revólver calibre 38 que estava escondido por debaixo da camisa. – Vamos para o fim do corredor e acabou! Já estou de saco cheio desse negócio! Eu quero sair daqui e vocês vão junto!
O grupo fica atônito com a medida desesperada de Plínio. Ele aponta a arma para os três, ignorando o fato de duas pessoas serem suas amigas e a terceira ser mais que isso. E Ingrid já presenciou uma cena assim. Ao lembrar-se de sua mãe, tentando atacá-la e dizendo coisas horríveis, encontra convicção para ajudá-lo.
– Plínio, amor! Não se deixe seduzir por ela! Sei que há um monstro horrendo lhe dando ordens para nos matar, mas resista!
O rapaz não entende onde ela quer chegar, pois não padece do mesmo mal que a mãe da garota. Seu problema é psicológico, não sobrenatural. Plínio é apenas um cara transtornado com uma arma em punho.
Ingrid, porém, não sabe disso, nem imagina que o rapaz está ficando apavorado com a conversa. A garota se aproxima, chorosa, suplicando que rresista. Não há, entretanto, nenhuma presença próxima. No final do corredor, uma criatura diabólica na forma de uma menina de dezesseis anos carbonizada num vestido encardido se delicia com a cena.
Plínio destrava e aponta a arma para Ingrid, apavorado com as suas investidas. Lídia e Roberto não se movem um milímetro sequer. Ingrid continua, acreditando que é a única pessoa que pode acalmá-lo agora.
– Plínio? Olha pra mim, amor – Ingrid dá mais um passo em direção ao revólver. – A gente vai sair daqui juntos, não é? Abaixa a arma.
Ingrid encara um Plínio alucinado. Trêmula, não o reconhece mais e chora por pensar que não conseguirá resgatar seu namorado das mãos de Bruna. Seu corpo treme, acompanhando os passos vacilantes em direção ao seu amado.
– Não desista agora, Plínio! Eu perdi a minha mãe, o meu pai e não quero perder você!
Plínio arqueia os lábios, tentando impedir o choro. “Todos aqui estão loucos”, pensa, mal conseguindo manter o revólver na altura da testa da namorada. Em seguida, ele mesmo questiona o motivo de estar naquela situação.
 – Eu também estou louco.
– O que você disse, amor? – indaga Ingrid, dando mais um passo. Está agora a uma distância em que alcança o revólver. É só se concentrar e ser rápida. Suas mãos suam e ela esfregaos dedos nas palmas, tentando deixá-las mais secas o possível. Ingrid não pode esperar mais. Um tiro àquela distância a mataria imediatamente. Mas ela não quer dar tempo para um disparo.
Ingrid avança para cima da arma de Plínio.
– A Bruna! – grita Roberto, apontando para o fim do corredor. – Ela está lá!
Plínio se assusta e dispara na testa de Ingrid. A bala atravessa uma das mãos da menina que estava prestes a tomar a arma de seu namorado.
Lídia leva a mão à boca, num grito mudo de pânico, ao ser tingida pelo sangue da blogueira. Roberto se espreme do lado oposto do corredor sob a mira do revólver de Plínio, agora totalmente ensandecido.
– Por que você fez aquilo, Roberto?!
– A Bruna! Ela está ali! – só agora percebe o corpo de Ingrid no chão. – Oh, meu Deus! Ingrid!
Plínio chora por sua namorada enquanto coloca a arma na têmpora esquerda de Roberto, forçando-o a olhar para o fim do corredor. Ele consegue ver Bruna batendo palmas, em reconhecimento ao brilhante trabalho realizado na morte de Ingrid. Em seguida, desaparece.
Roberto fecha os olhos aguardando o projétil da arma do amigo varar seu cérebro. Mas Plínio hesita tempo o bastante para um barulho ser ouvido, vindo da porta que entraram.
– Tem alguém aí? – pergunta a voz vinda do outro lado, acompanhada de um giro na maçaneta. – Aqui é a polícia!
– Aimeudeus! – sussurra Lídia, desesperada. – Vão prender a gente! Eu não matei ela! Eu não matei aqueles policiais! Eu não posso ir para cadeia!
– Abram a porta! – ameaça o policial. – Abram ou serei forçado a arrombar!
Plínio analisa a situação e percebe que a última coisa que quer no momento é ficar ali.
– Vamos para lá agora! – diz para Roberto que, sem muitas opções desta vez, concorda.
Lídia corre na frente enquanto Plínio puxa Roberto pelo braço, ainda apontando-lhe a arma. Chegando ao final do corredor, Roberto vê que a porta está sendo aberta. E o que se o que se revela não é um policial, mas sim o cadáver de Leda, trazendo a sua cabeça em um de seus braços.
– Vocês serão mortos.
 De forma nervosa, a pequena chave de fenda de Jeremias tira os parafusos do computador. Seu objetivo é ligá-lo internamente. Enquanto investe contra sua máquina, a impressora continua produzindo alguma terrível mensagem. Não suportando mais sequer o som da impressora, ele a desconecta do computador, fazendo-a parar. Agora em silêncio, Jeremias se vê menos nervoso para continuar a correr contra o tempo. Três dos quatro parafusos que fecham o gabinete já foram soltos e ele parte para o quarto. Uma ponta de sorriso brota em seu rosto. Está confiante de que conseguirá mandar a mensagem para sete pessoas e assim, ficar livre do que está o ameaçando.
Mas de repente, a impressora retoma o seu trabalho, para surpresa de Jeremias. Espantado, deixa cair a chave de fenda, que rola para baixo da cama.
– Não! – exclama, desesperado. – Eu não vou morrer assim!
Passa a empenar a carcaça de metal do computador, tendo assim acesso ao seu interior, sem se preocupar mais em mantê-lo inteiro. Quando enfim liga o aparelho, olha para a impressora, que acaba de cuspir uma página com a seguinte mensagem:

A lista acabou de ficar menor, Jeremias... Você é o próximo.
 – Ninguém mais vai morrer! – Plínio aponta a arma para Roberto. – Sabe por que? Porque você vai contar tudo que está acontecendo!
– Então tira essa arma da minha cara! – grita Roberto, à distância de uma respiração de seu rosto.
– Ei, ei, ei! Vamos parar? Ingrid morreu, porra! Vamos ser presos, caramba!
Receoso, Roberto conta para Lídia e Plínio tudo o que aconteceu com ele, sobre a primeira mensagem que recebera de Bruna, os sonhos e como fugiu de casa. Lídia, por sua vez, conta o que aconteceu com os policiais e como a sua história se encontrou com a de Plínio. Este conta o que se sucedeu a Ingrid e como pensaria naquilo como uma grande armação, se não tivesse visto o vídeo onde a menina fala com ele.
Eles continuam conversando e vão pelo corredor da direita, oposto àquele em que Bruna desaparecera. Lídia e Plínio ainda têm dúvidas sobre Roberto e é Plínio que inicia o bombardeio enquanto entram na área do hospital em reforma.
– Então, as pessoas para quem você mandou a mensagem estão morrendo pela ordem de envio?
– S-sim. – responde o hesitante Roberto, com medo de levar uma bala na cabeça.
– Somos os próximos. Merda! – conclui Plínio, controlando-se para não espancar Roberto.
– Sim. Mas antes...
– Mas antes o quê? – indaga Lídia.
– Existe mais uma pessoa para quem eu mandei a mensagem.
– Tem uma pessoa antes da gente? Ótimo. Quem é?
– Ótimo? Como assim ÓTIMO? É um fodido como nós, Plínio! Ele vai morrer como a gente! A gente precisa avisar ao cara que ele corre perigo! Quem é ele, Roberto?
– E-eu não sei.
– Você não sabe?
 – Eu não sei, porra! Eu peguei o endereço dele na minha lista e mandei. É um daqueles caras que ficam mandando correntes para os outros. Achei que ele gostaria daquela!
– Ótimo. Não sabemos quem é o cara, então vamos nos preocupar com a gente – afirma Plínio, parando perto de uma porta. – Tem uma saída por aqui, mas a porra da porta está emperrada!
– Então, enquanto ele estiver vivo, teremos chance! Não é, Roberto? Não é verdade?
– Isso não basta, Lídia! – Plínio volta-se para Roberto, apontando a arma e gritando desesperadamente. – Precisamos descobrir um jeito de não morrer!
E sob a mira da arma do amigo, Roberto, em lágrimas, desabafa:
– Me desculpa, Plínio. Eu é quem devia morrer, não vocês! Juro que não passaria a corrente para frente se soubesse que aconteceria isso!
– Você tem razão! VOCÊ devia morrer, seu merda! Por que me mandou isso? Por que você está vivo, hein? Por que viveu o bastante para me ferrar desse jeito?
Neste instante, Plínio recobra a inteligência que o transformara num hacker tão bom quanto Roberto e encontra a chave do enigma:
– Ei! É isso! Você passou a corrente para frente e eu não! Mas eu não deletei meu e-mail! Ainda há uma chance! – volta-se para a porta e tenta abri-la, agora empregando mais força. – Eu tenho um notebook no carro. Se conseguirmos sair daqui, passamos a corrente para frente e fim de papo!
– Eu nem olhei a minha caixa postal ainda. Eu não vou morrer! – afirma Lídia, com sorriso choroso.
Roberto olha para os dois e não os reconhece. Plínio pensa numa saída, um modo de continuar andando entre os vivos por mais tempo, enquanto Lídia sorri de forma medonha, como se não tivesse outra opção senão agarrar-se à hipótese do amigo.
– Vocês estão loucos?
– Por que você diz isso? – questiona Lídia.
 – Vocês passariam a corrente para salvarem as suas vidas? Vocês teriam coragem de condenar sete almas à morte?
Plínio volta-se novamente para Roberto, desta vez, colocando a arma em sua boca.
– Você começou com isso, babaca! Você condenou cinco pessoas. E nem tente falar... – continua Plínio, imitando o amigo, fazendo uma voz chorosa – “...Eu não sabia que aconteceria algo assim”. Mas me diz a verdade, Roberto. Se você soubesse que sua vida dependeria disso, você quebraria a corrente?
Roberto não presta atenção à pergunta, pois um vulto caminha atrás de seu algoz, chegando à porta que ele tentou abrir. O hacker identificar quem é, pois o amigo bloqueava a visão e a arma em sua boca dificulta a sua concentração.
Mas Plínio o vira, proporcionando uma vista detalhada da criatura. É Gésser, quase na metade de seu tamanho original, graças às inúmeras fraturas que sofreu sendo atropelado por um caminhão na 2ª Ponte. Assim como aconteceu com Leda, só Roberto o vê e ouve.
– Porra, Roberto! Eram motonetas! A porra da velhinha contrabandeava motonetas! Eu nem acreditei – reclama Géser, estendendo a mão trêmula e torcendo a maçaneta. Roberto foi salvo por um sonoro clique da porta se abrindo.
Jeremias amassa a folha cuspida por sua impressora e acessa a internet no seu recém-ligado computador. Entra em sua caixa postal e lá encontra um e-mail de Bruna, que traz em seu título “Antes de tudo, veja isso!”
A mensagem que ele deve encaminhar não está mais ali. Jeremias então decide entrar no perigoso jogo de Bruna e clica na sua provável sentença de morte.
Quando o e-mail abre, é o desenho de um alegre fantasma, juntamente com uma palavra.

Buu!
 
Jeremias demora a entender a brincadeira. Olha toda a mensagem de cima a baixo procurando por algo estranho, sem êxito. Chega a respirar aliviado, mas ao analisar melhor, descobre uma informação no fim da página.

Para ver mais, acesse
www.b**na.com.br/jeremias.htm

Hesitante, Jeremias clica no link e outra tela se abre. A barra verde crescente no rodapé da página mostra uma seção de fotos sendo carregada. Uma a uma, elas vão abrindo e transformando-se numa coluna de imagens.
A primeira foto traz o próprio Jeremias, olhando para o monitor, assim como ele o faz neste momento.
A foto logo abaixo o mostra passando a mão no rosto.
Já na terceira, ele derruba a caneca que usa para guardar canetas. Aquilo deixa Jeremias intrigado e ele começa a suar frio. Inconscientemente, leva a mão ao rosto.
A quarta foto o mostra olhando para um caco da caneca, o olhar desesperado. Decide parar de olhar aquele site, mas ao tentar mexer no teclado, seu cotovelo esbarra na caneca, promovendo um fatídico encontro com o chão.
– Droga! – esbraveja, enquanto recolhe os cacos no chão. Ao pegar um caco maior, percebe algo terrível: está fazendo exatamente o que está aparecendo nas fotos do site.
Jeremias levanta rapidamente e olha para o monitor. Mais três imagens tinham surgido, mostrando a sequência dele levantando, olhando para o computador e desligando o monitor.
Uma última está sendo carregada. Ele olha aflito, já que esta demora mais do que as outras. Jeremias nem pisca, apenas aguarda a imagem aparecer diante de seus olhos.
A foto finalmente aparece: é seu rosto olhando para a origem das imagens com um olhar de pânico.
Ele fita o computador por um tempo. Sem conseguir resistir, desliga o monitor e, tentando tornar cada segundo mais longo, olha o mais lentamente possível para trás.
O olhar de espanto que teve a tristeza de contemplar na última foto do site se faz necessário. Bruna, com a sua pele queimada e vestido encardido, segura uma pequena câmera fotográfica, bate a última foto de Jeremias, eternizando em imagem o que pode ser ouvido por toda a vizinhança.


No próximo capítulo:
– Isso não tem nada a ver com os pedreiros! – grita Roberto, ainda agachado olhando para Lídia. – São penas! Penas de pombos!